Demóstenes e ‘Gilmar’
viajaram em jatinho de Cachoeira, constata a PF
28/5/2012
21:04, Por Redação, com Najla Passos e Vinicius Mansur/Carta
Maior - de Brasília
Add caption |
Cachoeira
teria facilitado a viagem de Demóstenes Torres e um tal de 'Gilmar', da
Alemanha até o Brasil
Agrava-se
o ambiente de suspeição quanto às ligações do ministro do Supremo Tribunal
Federal Gilmar Mendes e seu ex-amigo Demóstenes Torres, senador de
Goiás, ex-líder do DEM hoje no centro da Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito (CPMI) que investiga os atos da quadrilha de Carlos Augusto Ramos, o
bicheiro Carlinhos Cachoeira. Escutas telefônicas interceptadas pela Polícia
Federal (PF), com autorização da Justiça, durante a Operação Monte Carlo,
reveladas nesta segunda-feira, questionam se o ministro do Supremo Tribunal Federal
(STF), Gilmar Mendes, “pegou carona” em um jatinho fornecido por
Cachoeira, no dia 25 de abril de 2011, quando teria retornado da Alemanha ao
Brasil, na companhia do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO).
Uma
ligação interceptada pela PF no dia 18/4/2011, às 18:08 horas, mostra Carlinhos
Cachoeira informando ao ex-funcionário da Delta e ex-vereador pelo PSDB,
Wladimir Garcez, também preso durante a Operação Monte Carlo, que
Demóstenes estava em Berlim. Em nova ligação, no dia 23/4/2011, às 19:31 horas,
Wladimir pede autorização à Cachoeira para buscar o “Professor” (um dos
codinomes de Demóstenes, segundo a PF), em São Paulo, no jatinho de alguém
chamado Ataíde. Diz que está ele e Gilmar. Na degravação, a PF questiona entre
parênteses (“?Mendes?”).
Mais
tarde, às 20:24 horas, Wladimir liga novamente para Cachoeira dizendo que não
conseguiu falar com Ataíde e que mandaria o avião de Rossini. Cachoeira pegunta
qual é o avião de Rossini e Wladimir responde: um jatinho King Air.
Cachoeira:
‘um pequeno, né?’
Wladimir:
é… aí eu peguei falei com ele. Ele falou não, não preocupa que eu organizo.
Porque tá vindo ele e o GILMAR, né? Porque não vai achar vôo, sabe?
Cachoeira
se despede falando que ligaria para Demóstenes em Berlim.
Às 20:38
horas, Cachoeira liga novamente para Wladimir. Tratam de outros assuntos.
Depois, voltam a discutir a “carona”. Wladimir diz que Demóstenes chegará às
seis da manhã do dia 25/4 e que deixará tudo organizado para o piloto ir
buscá-lo.
No dia
25/4, às 12:10 horas, Wladimir diz à Cachoeira que o senador já chegou.
Gilmar
Mendes foi à Europa participar de um congresso internacional em homenagem ao
jurista italiano Antônio D’Atena, promovido pelo Fundação Peter Häberle e pela
Universidade de Granada, da Espanha. O congresso foi aberto no dia 13/4/2011,
mas a participação de Mendes se deu na manhã do dia seguinte, com a palestra “A
integração na América Latina, a partir do exemplo do Mercosul”.
Não há
registro públicos do que Mendes teria feito no restante do tempo em que
permaneceu fora do Brasil. À revista Veja, ele teria dito que se encontrou com
Demóstenes em Berlim, na Alemanha. Ainda segundo a Veja, o ministro teria uma
filha residente em Berlim e, por isso, frequentaria a cidade com regularidade.
Não há
registros públicos de quais atividades Demóstenes teria ido desenvolver na
Europa, mas levantamento feito por Carta Maior demonstra que ele não participou
das votações realizadas no plenário do Senado entre 13 e 25/4/2011.
Em nota
oficial, Lula manifesta indignação
A
assessoria de imprensa do Instituto Lula divulgou nota oficial onde o
ex-presidente manifesta indignação com o teor da matéria publicada pela revista
Veja. A nota afirma:
“Sobre a
reportagem da revista Veja publicada nesse final de semana, que apresenta uma
versão atribuída ao ministro do STF, Gilmar Mendes, sobre um encontro com o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 26 de abril, no escritório e na
presença do ex-ministro Nelson Jobim, informamos o seguinte:
“1. No
dia 26 de abril, o ex-presidente Lula visitou o ex-ministro Nelson Jobim em seu
escritório, onde também se encontrava o ministro Gilmar Mendes. A reunião
existiu, mas a versão da Veja sobre o teor da conversa é inverídica. ‘Meu
sentimento é de indignação’, disse o ex-presidente, sobre a reportagem.
“2. Luiz
Inácio Lula da Silva jamais interferiu ou tentou interferir nas decisões do
Supremo ou da Procuradoria Geral da República em relação a ação penal do
chamado Mensalão, ou a qualquer outro assunto da alçada do Judiciário ou do
Ministério Público, nos oito anos em que foi presidente da República.
“3. “O
procurador Antonio Fernando de Souza apresentou a denúncia do chamado Mensalão
ao STF e depois disso foi reconduzido ao cargo. Eu indiquei oito ministros do
Supremo e nenhum deles pode registrar qualquer pressão ou injunção minha em
favor de quem quer que seja”, afirmou Lula.
“4. A
autonomia e independência do Judiciário e do Ministério Público sempre foram
rigorosamente respeitadas nos seus dois mandatos. O comportamento do ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva é o mesmo, agora que não ocupa nenhum cargo público”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário