domingo, 12 de fevereiro de 2012

Publicada sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012, às 11:04

PT reage a fala de FH sobre desmistificação das privatizações

Jornal Agora MS
A cúpula do PT rebateu as declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que afirmou que os recentes leilões de aeroportos brasileiros “desmistificam o demônio privatista”. Versão preliminar de uma resolução política apresentada na quinta-feira pelo Diretório Nacional do partido afirma que “não é verdade que acabou a disputa ideológica sobre as privatizações, como afirmou uma apressada voz tucana”, se referindo a FHC. “Nós não confundimos concessão com privataria tucana”, afirmou o presidente do PT, Rui Falcão. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
Falcão afirma ainda que o sistema de concessão dos aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília “nada tem a ver com o modelo privatista dos tucanos, que entregaram patrimônio público a preços duvidosos”. O documento ainda pontua diferenças que teriam as concessões de aeroportos no governo Dilma Rousseff e a venda de estatais na gestão Fernando Henrique, de 1995 a 2002. “Antes, as empresas públicas (…) eram vendidas dentro da concepção de Estado mínimo, e os recursos, usados para pagamento de dívidas”, diz trecho da resolução, que logo em seguida diz que “agora, os ganhos para o poder público são enormes e aplicados no desenvolvimento do País.” (Terra)
 
 

 

Privataria Tucana e Lista de Furnas

9 de fevereiro de 2012
SINDOJUS/MG participa de lançamento de livro e ato de apoio ao deputado Rogério Correia
Representantes do SINDOJUS/MG com o deputado estadual Rogério Correia (1º a partir da esquerda), o deputado federal Delegado Protógenes (2º) e o jornalista Amaury Ribeiro Júnior (6º)
O presidente do SINDOJUS/MG, Wander da Costa Ribeiro, o diretor administrativo Jonathan Porto do Carmo, o diretor financeiro Rafael Giardini e o conselheiro fiscal Eldimar Marques Pereira, além do filiado Valdir Batista, oficial de justiça lotado na comarca de Contagem, participaram do “ato de solidariedade e em defesa da democracia”, realizado na Assembleia Legislativa mineira na última segunda-feira, 6 de fevereiro. Marcou presença também com faixas afixadas à porta da Assembleia.
Deputado Rogério Correia, deputado Delegado Protógenes (com a camisa do SINDOJUS/MG), o diretor do SINDOJUS/MG Jonathan Porto e o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, autor do livro A Privataria Tucana.
As atividades tiveram início com uma coletiva de imprensa sobre a CPI da Privataria em andamento na Câmara Federal, ocorrida na sala de imprensa com presença, entre outros, do deputado federal Delegado Protógenes Queiroz (PCdoB/SP), autor do pedido de criação da CPI, e do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, autor do livro “A privataria tucana”. Em seguida, iniciou-se o ato, com presença de entidades dos movimentos sociais e sindical, entre as quais o SINDOJUS/MG, em solidariedade ao deputado estadual Rogério Correia (PT) e em defesa da democracia e pró-instalação da CPI da Privataria na Câmara. Por último, já no início da noite, houve a solenidade de lançamento do livro “A privataria tucana”.
Faixas de apoio e solidariedade do SINDOJUS/MG ao deputado Rogério Correia...
 
... afixadas nas proximidades da Assembleia Legislativa

 
Depois de participar do ato na Assembleia, onde também conversou com o autores do livro e da instalação da CPI, o SINDOJUS/MG enviou a Protógenes, nesta quarta-feira, 6, ofício reafirmando o apoio “total e incondicional apoio à Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados proposta pelo nobre parlamentar  com a finalidade de apurar e investigar o obscuro processo de privatização de empresas públicas ocorrido durante o governo Fernando Henrique Cardoso’. O mesmo conteúdo também foi enviado por e-mail ao parlamentar.
 Veja a galeria de fotos

Leia, a seguir, matéria sobre o ato público da última segunda-feira, publicada no site do Sindieletro-MG:
“Movimentos sociais e sindicais fazem ato em defesa da democracia em Minas
E nesta quarta-feira, 8, o SINDOJUS/MG enviou ao deputado Delegado Protfoi , ou deputado. O SINDOJUS/MG também marcou presença com faixas afixadas no local.
Centenas de pessoas, entre lideranças do movimento Minas Sem Censura, militantes e dirigentes de entidades sociais e sindicais, participaram na tarde de segunda-feira (6), no saguão da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), de um ato em defesa da democracia, da CPI da Privataria e em solidariedade ao deputado estadual Rogério Correia (PT).
O parlamentar é acusado por aliados do governo do Estado de ter encomendado ao lobista Nilton Monteiro a Lista de Furnas. O documento contém o nome de 156 políticos ligados ao PSDB que teriam recebido recursos ilegalmente de empresas interessadas na privatização durante a campanha eleitoral de 2002. Em dezembro último, o PSDB estadual protocolou na Comissão de Ética da ALMG uma representação contra o parlamentar petista.
Carlos Magno de Freitas, secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG),  vê nas ações do governo e do PSDB “uma afronta à democracia”. “Querem calar um dos políticos mais importantes na interlocução com os movimentos sociais. Isso faz parte do ideário do governo, é o jeito tucano de governar. O governo do Estado não aceita o contraditório”, alerta.
O dirigente da CUT disse que os aliados do governador querem calar aposição, porque suas lideranças acreditam na ousadia e que é possível transformar a sociedade. “Calando a voz de Rogério Correia, querem calar a todos. Os tucanos acreditam que Minas Gerais tem dono. Nós não vamos admitir nenhum tipo de retrocesso. Em nome da CUT, trago a Rogério Correia nosso apoio e nossa solidariedade.” O coordenador geral do Sindieletro, Jairo Nogueira Filho, levou o apoio ao deputado, reconhecendo a importância da sua atuação do parlamentar para a organização dos movimentos populares.

O deputado estadual Sávio Souza Cruz (PMDB)  disse, ao declarar seu apoio a Rogério Correia, que “ousar é o privilégio de quem tem coragem”. “Não é admissível que Minas Gerais renuncie ao seu mandato. O PSDB quer aceitar alguém que não se curva ao projeto eleitoral de Aécio Neves”, afirmou.
Após o ato, o jornalista Amaury Ribeiro Jr.,  autor do livro “Privataria Tucana”, que motivou o pedido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), lançou a obra em noite de autógrafos no saguão da Assembleia Legislativa. O deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB), autor do requerimento da CPI, também participou do evento. No final do ano passado, Protógenes conseguiu reunir mais do que as 171 assinaturas necessárias para o pedido da instalação da Comissão e o requerimento foi protocolado no dia 21 de dezembro junto à presidência da Câmara.” (Fonte: Sindieletro/MG)
Combatendo a Corrupção.
Do Site da Controladoria Geral da União.

Maioria dos convênios analisados por ministérios foi considerada regular

O Governo Federal concluiu a análise da regularidade da execução dos convênios celebrados com entidades privadas sem fins lucrativos (ONGs), conforme estabelecido no Decreto nº 7.592, de 28 de outubro de 2011. O trabalho desenvolvido pelos ministérios permitirá a contínua melhoria na execução de convênios e instrumentos congêneres.

No total, foram analisados 1.403 convênios em execução. Destes, 917 (65%) estavam regulares. Outros 181 convênios foram cancelados, a maioria sem início de execução, pois com o decreto 7.568, de 16 de setembro de 2011, tornou-se obrigatório o Chamamento Público para a celebração de convênios com ONGs. Estes convênios não estavam adequados. O Chamamento Público foi disciplinado por portaria conjunta entre Ministério do Planejamento e Controladoria-Geral da União (CGU) no dia 10 de novembro de 2011. Restaram ainda 305 convênios avaliados com restrição, que após processo para esclarecimentos da prestação de contas poderão ser regularizados ou irão constar do cadastro de entidades com restrição para conveniar com o poder público federal.

Cada Ministério deverá encaminhar à CGU, com a respectiva justificativa, as entidades com restrição para celebrar convênios para que constem no cadastro de impedimento.

Desde dezembro, além do Chamamento Público para realização de convênios com ONGS, todos os órgãos do governo estão obrigados a integrar o Sistema de Convênios (Siconv), inclusive os que têm sistemas próprios, e deverão celebrar e executar convênios somente através do sistema, o que garante acompanhamento e fiscalização on line. O Decreto 7.641, de 12 de dezembro de 2011, deu prazo para implementação dos demais módulos/funcionalidades do Siconv, que entre maio e julho deste ano estará completo, inclusive com a identificação da ordem bancária de transferência voluntária para a entidade.
Casa Civil da Presidência da República
Controladoria-Geral da União
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão

PF inicia Operação Falácia no combate a crimes financeiros


Juazeiro do Norte/CE - A PF deflagrou na manhã de hoje, 10/2, a Operação Falácia para o cumprimento de 5 mandados de prisão preventiva e 5 mandados de busca e apreensão em endereços no município de Juazeiro do Norte.
A investigação decorre de inquéritos de crimes de formação de quadrilha e estelionato qualificado (Artigos 288 e 171 § 3º do Código Penal). Os mandados foram expedidos após representação da PF.
Durante as investigações a PF descobriu indícios de prática criminosa que envolve falsificação de documentos pessoais para fraudes na obtenção de empréstimos na Caixa Econômica Federal em Crato/CE.
Diante dos documentos apreendidos na Operação, as fraudes envolvem bancos, concessionária de veículos e empresas de cartão de crédito.
2 mandados de prisão preventiva já foram cumpridos. Foram presas uma estudante de odontologia e uma cabeleireira que se encontram na Cadeia Pública de Juazeiro do Norte/CE. 3 suspeitos estão foragidos e ainda são procurados pela PF.
Foram apreendidos vários documentos de identidade e comprovantes de endereço falsos, cartões de créditos, veículos, relógios importados, máquina operadora de cartão de crédito e  aparelhos celulares.
A Operação objetiva desmantelar a organização criminosa com a apreensão de bens, documentos falsos relativos aos fatos investigados, com foco nos documentos relativos às fraudes já empreendidas em desfavor da CEF, computadores, comprovantes e extratos bancários, mídias e vestígios existentes nos domicílios dos investigados que confirmem os indícios do inquérito policial.
A operação foi batizada com o nome da prática de argumentação falsa, falaciosa, dos sofistas na Grécia antiga que dissimulavam a verdade apresentando argumentos inverossímeis aos seus interlocutores em troca de pagamento em dinheiro.



Delegacia de Polícia Federal em Juazeiro do Norte
                                                                                                                              Tel.: (88) 3311-3232
PF deflagra Operação BPC contra fraudes no sistema previdenciário
Cuiabá/MT – A PF, por meio da Força Tarefa Previdenciária, composta pelo Ministério da Previdência Social e Ministério Público Federal, deflagrou, nesta sexta-feira, 10/2, a Operação BPC, para o cumprimento de 39 mandados judiciais expedidos pela 5ª Vara Federal em Cuiabá/MT, requeridos pela PF, com manifestação favorável da Procuradoria da República, sendo 4 mandados de busca e apreensão e 35 mandados de condução coercitiva.
As buscas foram realizadas nas residências de dois servidores do Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, de um intermediário, e na Agência da Previdência Social Cuiabá, no Centro. Além das referidas ações, 35 beneficiários do INSS foram conduzidos coercitivamente para prestarem depoimentos no interesse das investigações, nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo.
Os trabalhos tiveram início a partir de denúncia feita na Delegacia de Repressão a Crimes Previdenciários em Cuiabá/MT, pela filha de um dos beneficiários investigados. Segundo ela, sua mãe, para conseguir um benefício assistencial, teria pago ao intermediário, suposto advogado, determinada quantia em dinheiro, em 10 (dez) parcelas mensais.
As fraudes consistiam em inserções de dados falsos nos sistemas da Previdência Social, para serem utilizados nas concessões de benefícios previdenciários, bem como em declarações falsas dos segurados em relação à composição da renda familiar.
As investigações duraram cerca de 14 meses e revelaram a atuação de um esquema voltado para a obtenção fraudulenta de Benefícios de Prestação Continuada – Amparo Social ao Idoso.
Levantamentos preliminares apontam 50 benefícios com indícios de irregularidades e prejuízo estimado de R$ 950.000,00.
Os investigados poderão ser indiciados pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica e corrupção passiva.
O nome da operação BPC é uma alusão à espécie do benefício mais fraudado pelos investigados, o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social – BPC-LOAS. Trata-se de benefício da assistência social, integrante do Sistema Único da Assistência Social – SUAS, destinado a idosos e pessoas com deficiência. Para o recebimento desse benefício o requerente deve comprovar que não recebe nenhum benefício previdenciário, ou de outro regime de previdência e que a renda mensal familiar per capita é inferior a ¼ do salário mínimo vigente no país.
Participaram da Operação 90 policiais federais e 6 servidores do Ministério da Previdência Social.

Comunicação Social da PF no Mato Grosso

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Brasil já deu certo - apesar dos céticos


Grande parte da mídia brasileira se especializou em falar mal do Brasil. Graças a isso, a percepção que a sociedade tem de si mesma, em diversos aspectos, é inteiramente equivocada. Vende-se algo que não existe: a visão de que somos piores em quase tudo, quando comparados com a maioria dos países desenvolvidos. Nem mesmo as boas notícias são recebidas de maneira positiva. Por exemplo, a recente informação de que ultrapassamos o Reino Unido quanto ao PIB foi divulgada cheia de ressalvas, afirmando-se que o PIB per capita é um indicador mais relevante e coisas do gênero.

Imagem Activa
A covardia com o Brasil atinge o ápice quando se tenta comparar nosso sistema político com o dos outros países. Afirma-se que o presidencialismo é pior do que o parlamentarismo, mas não dizem que os países parlamentaristas têm gastos públicos sistematicamente maiores do que os presidencialistas e que é justamente por isso que a Europa se encontra mergulhada na pior crise econômica de sua história recente. Diz-se que o sistema eleitoral distrital é melhor do que o proporcional com lista aberta, mas não dizem que um dos países que melhor escapou da crise mundial é a Suécia, que adota o mesmo sistema eleitoral que o nosso tão criticado Brasil. Como sempre, a lista de críticas ao Brasil é muito longa. É difícil imaginar como um país tão ruim, com tantas coisas negativas, possa ter chegado aonde chegou. Opa, para os críticos ele não chegou a lugar algum, continua lá atrás, sendo um dos países mais problemáticos do mundo.
A crítica permanente ao Brasil está fundamentada em excesso de provincianismo: como não se conhece o que acontece em outros lugares, assume-se que aquilo que conhecemos de muito perto, em detalhes, é muito ruim. A greve dos policiais da Bahia e a desordem e criminalidade resultantes é um prato cheio para a frase típica dos que sofrem de complexo de inferioridade: "Isso só acontece no Brasil". É possível ver o outro lado da moeda, o lado positivo. A greve dos policiais baianos será resolvida de uma forma inteiramente diferente de greves congêneres que ocorrem nos Estados Unidos. Ao contrário de nosso vizinho mais rico, aqui não será dado um aumento salarial que comprometa a situação de nossas finanças públicas.
É isso mesmo. Para aqueles que não sabem, vários Estados e municípios americanos estão quebrados porque concederam aumentos salariais a perder de vista para policiais e bombeiros. Esse é o caso, tão bem relatado por Michael Lewis em seu livro "Bumerangue", recentemente publicado no Brasil, da Califórnia e dos municípios de San Jose e Vallejo. Aqueles que idolatram o federalismo americano deveriam saber que justamente por isso lá não há nada que se assemelhe a nossa Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Governadores e prefeitos estão livres para exercer sua prerrogativa de gastar muito, endividar o setor público ao ponto de comprometer seu funcionamento para as futuras gerações. Não serve aqui o argumento em abstrato, o princípio teórico, de que descentralizar é necessariamente melhor do que centralizar.
Os policiais da Bahia e de outros Estados estão limitados pela nossa centralização, que se traduz na possibilidade de ter algo como a LRF. Mais do que isso, a simples discussão ora em curso sobre a PEC 300, um sinal evidente de nossa centralização, mostra que jamais nossos Estados ou municípios ficarão na situação, como é o caso de Vallejo, de ter somente um funcionário público, aquele que tem como função pagar os salários, aposentadorias e pensões de policiais e bombeiros. Isso mesmo, em Vallejo, os sinais de trânsito estão todos piscando permanentemente em amarelo. O município, falido, não tem recursos para sustentar uma burocracia que faça valer as leis de trânsito. Isso jamais ocorreu ou ocorrerá no Brasil.
Na Grécia, não há cartões de crédito na grande maioria dos estabelecimentos comerciais. A razão é simples: o pagamento em dinheiro vivo está a serviço da mais fácil e completa sonegação de impostos. Não adianta dizer que os gregos são uma piada e isso e aquilo. Sempre foi assim, desde o momento em que a Alemanha aceitou a entrada da Grécia no acordo que estabeleceu o euro. Os gregos vão muito além de não utilizar cartões de crédito. Em ano eleitoral, o governo relaxa o controle fiscal, faz vista grossa para o não pagamento de impostos. É muito interessante que o Brasil seja tão ruim, mas que um país europeu utilize o (não) pagamento de impostos como moeda de troca eleitoral. Cá entre nós, comprar votos em comunidades pobres é muito mais redistributivo. Nosso sistema de controle fiscal pode não ser germânico, mas certamente temos uma burocracia muito mais avançada do que muitos países europeus.
Os críticos contumazes do Brasil não sabem disso, são provincianos demais para imaginar que algum país supostamente desenvolvido possa não controlar o pagamento de impostos, como se faz na nação de Macunaíma.
Aliás, nada mais distante do espírito germânico do que Macunaíma, nosso herói sem caráter. Ele é um retrato da nossa incredulidade. O brasileiro jamais acredita no que se diz. Essa credulidade alemã não faz parte da nossa cultura. Foi graças a isso que os alemães sempre acharam que a Grécia estava cumprido as metas de gastos definidas pelo tratado de Maastricht. Um burocrata ou um ministro da Fazenda brasileiro jamais confiaria na Grécia quanto a isso.
O livro "Bumerangue" é um excelente antídoto para o excesso de pessimismo quanto ao Brasil. Michael Lewis mostra que nos Estados Unidos, Grécia, Islândia, Irlanda e Alemanha aconteceram e acontecem coisas terríveis, que jamais atingiram e provavelmente nunca farão parte de nossa realidade. É claro que temos coisas ruins e abomináveis, mas isso está longe de ser o cenário catastrófico pintado pelos críticos. Todo país e toda sociedade têm problemas, mas também não somos piores do que os outros em tudo ou quase tudo.
Os alemães de Lewis são crédulos ao ponto de serem os únicos que, já com a crise no horizonte, continuavam comprando os papéis do "subprime" em Wall Street. Aliás, quando um "trader" americano tinha dificuldade para vender tais papéis, recebia invariavelmente a seguinte recomendação: "Venda para aqueles otários de Dusseldorf, que eles compram de tudo". Não creio que algum dia será possível trocar otários de Dusseldorf por otários de São Paulo ou do Rio de Janeiro, e muito menos de Brasília.
Os brasileiros acreditam em coisas mágicas como o boto da Amazônia ou o nêgo d'água em Minas Gerais. Ambos cumprem o mesmo papel de justificar, em uma sociedade conservadora, a gravidez de mulheres solteiras ou a traição das casadas. Isso causa muito menos prejuízo aos cofres públicos do que os duendes nos quais acreditam. Isso mesmo, na Islândia se acredita em duendes e quando uma empresa como a Alcoa foi se instalar por lá teve que aguardar por seis meses, até que fosse concluído um estudo que verificaria que em determinada área não havia duendes. É a mesma Islândia que transformou dezenas de pescadores em banqueiros. Isso mesmo, os banqueiros islandeses tinham sido pescadores durante toda sua vida profissional.
Mais do que isso, David Oddsson, que foi primeiro-ministro e presidente do Banco Central islandês, nunca teve experiência alguma com bancos e era poeta de formação. Talvez por isso os bancos alemães tenham colocado US$ 21 bilhões na Islândia, a Holanda tenha apostado US$ 305 milhões, o Reino Unido US$ 30 bilhões e a Universidade de Oxford tenha perdido US$ 50 milhões. No Brasil, é impensável que alguém que não tenha familiaridade com o mercado financeiro assuma a presidência do Banco Central. Mesmo assim, há aqueles que insistem em criticar tudo ou quase tudo.
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Trata-se de uma questão de ponto de vista, de como olhamos o Brasil. O exemplo da centralização é emblemático. Não há nada necessariamente melhor em ser tão descentralizados como são os Estados Unidos. Uma postura cética indica que o que melhor e pior, o benéfico e maléfico, dependerão das consequências. A comparação entre os gastos com funcionários públicos estaduais e federais no Brasil e nos Estados Unidos mostra que a centralização política e administrativa tem sido mais efetiva para conter seu descalabro. Indo além, ser um pouco macunaímico quando se trata de comprar papéis do "subprime" teria sido bom para os germânicos. Nada disso se escolhe: são coisas que as nações são ou não são. Ultimamente, temos sido os grandes beneficiários de ser como somos.

Do Valor Econômico

Alberto Carlos Almeida, sociólogo e professor universitário, é autor de "A Cabeça do Brasileiro" e "O Dedo na Ferida: Menos Imposto, Mais Consumo". E-mail:Alberto.almeida@institutoanalise.comwww.twitter.com/albertocalmeida


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A trama oculta da “Veja”

Vale a pena recordar o lixo que a Veja é. Repugnante.
Publicado no dia 13 de Dezembro de 2011 às 11:43 no Portal Minas Livre
A edição de número 2.247, 14/12, da revista “Veja” trouxe na capa o destaque para uma matéria que acusa petistas de fabricarem dossiês contra políticos do PSDB e PFL, à época do chamado escândalo do mensalão.
Tema requentado, a novidade seria a divulgação de trechos de conversas entre um deputado do PT, um assessor e um ex-deputado, com Nilton Monteiro, que é acusado pela revista de fabricar dossiês, com o apoio desses atores políticos.
A matéria assinada por Gustavo Ribeiro e Rodrigo Rangel conclui, logo de cara, que o documento (a Lista de Furnas) “é falso como uma nota de 3 reais”. A “lista” aponta políticos da oposição (sic) como beneficiários de desvios de dinheiro de Furnas em 2002. Segundo os repórteres a lista apresentava sinais de falsificação grosseiros e fora encomendada por petistas.
Com base nas gravações e na conclusão de que tudo não passava de uma montagem, a “Veja” ultrapassa todos os limites que sustentam a mais elementar ética jornalística. E se desenvolve como um panfleto partidário, pelas expressões conclusivas, acusatórias, com excessos de adjetivos e pouca substantivação.
Primeiro, o fato retomado tem pelo menos duas versões: a acusação de Nilton Monteiro, de que uma lista elaborada por Dimas Toledo, ex-presidente da estatal Furnas, apontava dezenas de políticos como beneficiários de propinas arrecadadas naquela empresa pública; e, na sequência, a defesa dos políticos do PSDB e do PFL, que negam a acusação. A “Veja” inverte a apresentação do fato político, destacando a reação, como se fosse a ação originária da celeuma. A partir desse gesto elementar de inversão factual, o que se vê a violação, sem qualquer pudor, de qualquer regra básica de produção jornalística séria.
Segundo, além da versão baseada na transcrição de trechos de uma gravação, esta atribuída à Polícia Federal, a “Veja” não apresenta mais nada, em termos documentais ou testemunhais, para desferir ataques aos “seus” acusados. Aliás, os trechos destacados, se forem o máximo que conseguiram obter de suas fontes ocultas, aí realmente a sua “prova” é fraquinha. Os diálogos só “provam” o óbvio: o denunciante (Nilton Monteiro) procurou um deputado e um ex-deputado do PT para apresentar denúncias. E quando se procura alguém para tal finalidade, o meio de comunicação é a fala. No máximo, pode-se ver que ele exigiu algum tipo apoio (que nem sequer é especificado), mas – pelo seu nível de insatisfação nos trechos transcritos– o tal apoio não foi prometido e nem dado. As interpretações dos tais diálogos, feitas por Gustavo Ribeiro e Rodrigo Rangel, só teriam alguma credibilidade, se outras interpretações fossem apresentadas como possíveis, tal o grau de generalidade dos mesmos.
Terceiro, os termos usados, pela sua forma conclusiva (falsários, mentiras, estelionatários, comparsas) baseados em ilações e na gravação atribuída à Polícia Federal, só demonstram a coerência do texto, com a linha editorial da revista, que é de oposição ao PT, aos seus governos, à CUT e à esquerda em geral. São termos condenatórios e, portanto, impróprios ao bom jornalismo.
E, finalmente, ao explorar inadequadamente a fala do “outro lado”, a revista demonstra seu descompromisso em garantir que a matéria ofereça ao leitor a liberdade de concluir algo. O texto conclui para o leitor.
A “Veja” omitiu que existe sentença judicial, proferida pela juíza Maria Luiza Marilac Alvarenga de Araújo, inocentando Nilton Monteiro (processo 024.06.029.163-0, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, 11/2009), em processo no qual é acusado por José Carlos Aleluia (ex-deputado do PFL) de falsificação da tal lista. Dentre outros motivos, a absolvição se deu pela existência de um “Laudo de Exame Documentoscópico (Mecanográfico e Grafotécnico)” do Instituto Nacional de Criminalística, do Departamento de Polícia Federal, do Ministério da Justiça, de nº 1097/2006, assinado pelos peritos Marcus de Jesus de Morais e Narumi Pereira Lima, apontando: que a versão original da “lista” não apresentava indícios de montagem; que a assinatura convergia para a de Dimas Toledo; que a empunhadura da caneta indicava forte convergência entre a assinatura e as rubricas postas nas diversas páginas; que a impressão das suas cinco páginas apontavam que foram confeccionadas pela mesma impressora; que a tinta da caneta, usada para a assinatura e para as rubricas indicavam fortes semelhanças etc. Ou seja, que se tratava de material autêntico. Além disso, outras considerações de ordem jurídica, desconstituindo as alegações acerca de calúnias etc, contra Nilton Monteiro, são desenvolvidas na sentença prolatada pela citada juiza. José Carlos Aleluia não recorreu da sentença.
O parágrafo anterior desenha uma parte daquilo que integraria qualquer texto sério sobre a retomada de um fato político, amplamente divulgado à época, ocorrido entre 2005 e 2009, que foi o aparecimento de uma lista que acusa políticos de receberem propina em 2002. Isso sem prejuízo da revista “Veja” priorizar a versão mais compatível com sua linha editorial.
Outros “detalhes”:
As ofensas pessoais, as fotos de lideranças nacionais do PT, notadamente a de José Dirceu (segundo a revista “o principal réu do mensalão”), que nada tinham com a notícia “requentada” e a primazia das fontes ocultas, sobre as ausentes informações públicas e documentadas, contaminam ainda mais o texto.
O sigilo de fonte para preservar pessoas e instituições é válido. Mas usado como forma de facilitar o texto acusatório é condenável eticamente. É ocultação de fonte e não sigilo de fonte.
O uso do futuro do pretérito e do adjetivo “suposto” só ocorre em favor dos políticos de oposição (PSDB e PFL) por ela defendidos. Numa matéria, sem nenhuma fonte documental nova, com fé pública, o “teria”, o “poderia” e o “suposto” seriam um direito dos petistas acusados.
Concluindo: eis uma matéria Filha da Pauta, que apenas contribui para desqualificação da instituição “imprensa”, como algo necessariamente aparelhado por interesses políticos, seja eles quais forem. No caso, a “trama” ocultista da “Veja” dá razão ao que circulou pelas redes sociais na internet, que afirmam o esforço da revista em tentar turvar o lançamento do livro “A PRIVATARIA TUCANA” de Amaury Ribeiro. Livro que atingiria diretamente o suposto esquema que teria sido montado por aliados de Serra para mamar nas privatizações de FHC.